08 maio Magistratura do RS se despede da juíza Mariana Ferreira
Em um momento de profunda consternação, a magistratura do Rio Grande do Sul se despediu, nesta semana, da juíza Mariana Francisco Ferreira, que atuava na Comarca de Sapiranga. O falecimento ocorreu na última quarta-feira (6), em Mogi das Cruzes (SP), em decorrência de complicações relacionadas a um procedimento cirúrgico.
A magistrada, de 34 anos, que ingressou na carreira em 2023, era reconhecida pela dedicação ao trabalho e pelo entusiasmo no exercício da função.
O presidente da AJURIS, Daniel Neves Pereira, deslocou-se até Mogi das Cruzes para representar a magistratura do Estado e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul nas cerimônias de despedida, levando aos familiares as manifestações de solidariedade, acolhimento e pesar expressas por centenas de colegas.
“Mariana, além de uma pessoa especial, era uma juíza atuante e entusiasmada em fazer Justiça. Desde o início da carreira, se sentiu muito acolhida no RS, apesar de não ser seu estado de nascimento”, afirmou o presidente, após o sepultamento, nesta sexta-feira (8).
Em homenagem à memória da juíza Mariana Ferreira, a AJURIS convida a todos a participarem da Missa de Sétimo Dia, que será celebrada na terça-feira, 12 de maio, às 18h30min, no Santuário Santo Antônio do Pão dos Pobres, em Porto Alegre.
Também como forma de homenagem, a AJURIS publica depoimentos de dois magistrados, que destacam a contribuição profissional e as características pessoais da juíza Mariana Ferreira, marcantes para todos aqueles que com ela conviveram.
Juíza-Corregedora Viviane Castaldello Busatto, responsável pela Comarca de Sapiranga:
A Magistrada Mariana Francisco Ferreira marcou sua trajetória no Tribunal de Justiça Gaúcho como uma juíza profundamente comprometida com a efetividade da Justiça. Entusiasmada com a vida e apaixonada pela magistratura, nas comarcas por onde passou, exerceu sua vocação com sensibilidade, coragem e incansável espírito de serviço.
Ao lado de sua reconhecida qualidade técnica, destacou-se pela forma atenta e humana com que exercia suas funções, sempre preocupada com os jurisdicionados e com a construção de uma Justiça mais eficiente e acolhedora. Investiu tempo, energia e talento na gestão das unidades judiciárias, com vistas à melhor entrega da prestação jurisdicional. O impacto de seu trabalho foi sentido na vida de inúmeras pessoas que encontraram no Poder Judiciário esperança, amparo e solução para seus problemas.
Entre nós, magistrados, servidores, terceirizados e estagiários, enlutados com sua partida, permanecerão o exemplo e as lembranças da magistrada e colega, traduzidos nas palavras daqueles que com ela conviveram: “ativa, trabalhadora dedicada”; “querida, cheia de vida”; “maravilhosa”; “verdadeiramente feliz em ser juíza”; “muito interessada na efetivação da jurisdição (…) realmente dedicada à Justiça”; “corajosa, forte e decidida; (…) alegre, desenvolta e com gana pela vida”; “exemplar”; “cheia de vitalidade”; “extremamente dedicada, preocupada com a jurisdição e sempre a mil”; “dedicada e estudiosa”; “querida, proativa, competente, tipo representante de turma”; “além de especial para nós que convivíamos com ela, era uma excelente e dedicada profissional, além de extremamente sensível”; e que “amava a magistratura e fez do RS sua segunda casa”.
Sua ausência deixa um vazio irreparável, mas sua trajetória permanecerá viva na memória de todos nós.
Juiz de Direito Felipe Zabeu Vasen, colega da magistrada:
Conheci a Dra. Mariana – Mari – ainda durante o concurso, entre 2022/2023. Eu, ela e o também colega João Rodini tínhamos coisas em comum: morávamos no estado de São Paulo e estávamos empenhados em ser juízes(a) no Rio Grande do Sul. Assim, nos preparamos em conjunto para o exame oral. Essa aproximação me permitiu descobrir que a Mari tinha a magistratura como um projeto de vida. Uma dedicação impressionante, incansável. Era um sonho que ela ia alcançar. A aprovação veio e a Mari abraçou o Rio Grande do Sul da mesma forma que foi abraçada pelos gaúchos. Em pouco tempo, trocou o “você” pelo “tu”. O acaso nos colocou em gabinetes vizinhos. Pude testemunhar a magistrada exemplar que ela se tornou: extremamente humana e inteligente, conforme todos os servidores que com ela trabalharam repetiam. Dedicada e trabalhadora. A última a sair. Mas a Mari se destacava mesmo era pela alegria e capacidade de se comunicar com todos: falante, engraçada e sempre animada. O ambiente mudava com a chegada dela. O silêncio e a tristeza no dia de hoje, no nosso corredor, falavam por si.
A magistratura, embora projeto de vida, não era ponto de chegada. Ela tinha muitos planos e fazia questão de os compartilhar. Um deles, que eu me permito dividir, era ser mãe. Outro envolvia cachorros e uma casinha no interior gaúcho. E é justamente nessa fase, de inícios, começos, nos 34 anos dela, que a vida nos golpeou violentamente. Aqueles golpes de surpresa, que não vemos de onde vem. Difícil de acreditar. A tristeza e a consternação se espalharam por todos aqueles que fazem parte do nosso Tribunal. As mensagens de carinho e apoio se multiplicaram nos grupos, inclusive entre colegas que não conheciam a Mari. Triste e ao mesmo tempo reconfortante.
Sinto que somos tão fortes, tão resilientes, que quando nos recuperamos de um golpe da vida temos a ilusão de que não vai se repetir. A tristeza ficou para atrás, é coisa de outra época. Aos trinta e poucos, então, essa sensação é ainda mais forte. E aqui ouso falar em nome da nossa turma: que fase gostosa estávamos vivendo. Aí vem a realidade e nos mostra que não. Há tristeza, há dor, há o inexplicável. E hoje foi um dia desses. Muito difícil.
Mas a vida é assim mesmo: esquenta e esfria, escreveram. Espero que nesse momento difícil encontremos de novo essa força que nos coloca para cima. Que a Mari esteja em paz. Que a família dela encontre forças e se sinta abraçada por todos nós, amigos e colegas gaúchos.