08 set Um povo que não abre mão dos seus direitos, por Daniel Neves Pereira
Publicado em: 08/09/2026
em Artigos
por Paulo Egidio
O gaúcho não aceita passivamente aquilo que considera injusto.
Setembro, no Rio Grande do Sul, é tempo de memória, identidade e afirmação. No mês da Revolução Farroupilha, relembramos episódios, personagens, elementos culturais e valores que fazem parte da formação do povo gaúcho. Entre esses traços está a disposição para resistir, defender convicções e erguer a voz quando um direito é desrespeitado.
O gaúcho não aceita passivamente aquilo que considera injusto. Questiona, reivindica e, quando necessário, recorre às instituições para fazer valer a sua posição. Essa característica revela uma sociedade consciente de seus direitos e disposta a protegê-los, o que produz reflexos no sistema de Justiça.
Nos últimos anos, o Tribunal de Justiça gaúcho tem sido, consecutivamente, o mais demandado do Brasil. Em 2025, foram 193,6 casos novos a cada mil habitantes, índice bastante superior ao do segundo colocado, o TJ de São Paulo, com 148,2 casos, e à média nacional, de 132,5.
A elevada procura pelo Judiciário expressa tanto a existência de conflitos quanto a confiança de que a Justiça é o caminho legítimo para solucioná-los. Na democracia, essa confiança é um patrimônio a ser exaltado e preservado.
Em 2025, cada magistrado do Rio Grande do Sul baixou, em média, 2,9 mil processos
Se os números revelam a intensidade da demanda, também demonstram a capacidade de resposta. Em 2025, cada magistrado do Rio Grande do Sul baixou, em média, 2,9 mil processos, o equivalente a quase oito processos por dia, incluindo finais de semana e feriados. Por trás de cada um desses processos há uma pessoa, família, empresa ou instituição esperando que uma lei seja cumprida, que um dano seja reparado ou que uma garantia seja preservada.
No Mês Farroupilha, lembrar a resistência que está na origem da identidade gaúcha é também refletir sobre o presente. Um povo que não se conforma diante da injustiça precisa de instituições fortes, acessíveis, independentes e valorizadas. Os juízes e as juízas conhecem o tamanho do desafio e se mantêm firmes no propósito de honrar a confiança que nossa população deposita na Justiça.
Por Daniel Neves Pereira, presidente da AJURIS.