15 jan Falece o juiz Felipe Rauen, uma referência para a magistratura gaúcha
É com profundo pesar que a AJURIS comunica o falecimento do juiz de Direito Benedito Felipe Rauen Filho, 78 anos. Rauen foi um profundo conhecedor de toda a estrutura e funcionamento da Associação dos Juízes do RS, guardião do Estatuto e a voz que todos procuravam ouvir em momentos de impasse, além de ter construído uma carreira jurídica que dignifica a magistratura nacional.
A cerimônia de despedida será realizada no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre, na Capela K, com início às 13h desta quinta-feira (15/1), e o sepultamento ocorrerá às 17h.
“É com profunda dor que recebemos essa notícia. O Rauen foi um exemplo de juiz que deve inspirar a todos que buscam seguir a carreira e ainda um incansável lutador pelas causas dos colegas, da magistratura e da Justiça. Em muitos momentos foi um porto seguro para todos nós. Espero que a família e os amigos encontrem conforto nessa hora”, disse o presidente da AJURIS, Cristiano Vilhalba Flores.
Formado pela Faculdade de Direito de Curitiba, cidade onde nasceu, Rauen ingressou na magistratura gaúcha em 1976. Atuou como juiz nas Comarcas de Guaporé,
Veranópolis e Soledade. Também foi juiz de Direito nas Comarcas de São José do Ouro, Horizontina, Estrela, Camaquã e Porto Alegre, onde também atuou como juiz-corregedor. Quando estava em Camaquã, integrou na década de 80 um grupo de magistrados que criou e implantou o Juizado das Pequenas Causas, hoje Juizado Especial.
Rauen teve uma longa vida associativa. A participação do magistrado na AJURIS começou na gestão de 1992 como integrante do Departamento de Valorização Profissional, depois passou pelos departamentos de Consórcios, Mútua, Estudos e Reformas, Assuntos Constitucionais e o Conselho de Comunicação Social. Em seguida foi vice-presidente de Patrimônio e Finanças e Administrativo. Por sugestão de Rauen foi criada na AJURIS a Vice-Presidência de Aposentados, e ele foi o primeiro ocupante da nova função na gestão da ex-presidente Vera Lúcia Deboni (2018-19), se mantendo no cargo na gestão seguinte.
Nesse meio tempo, o Rauen ainda teve fôlego para ajudar a criar a cooperativa de crédito Sicredi-AJURIS, presidir o Conselho Deliberativo, assessorar a Presidência, integrar o Núcleo de Resgate Histórico e os grupos de trabalho Subsídio e Paridade e da Remuneração dos Pretores e advogar em defesa das Pensionistas, conquistando a integralidade do pagamento das pensões. Recentemente, participou de suas comissões: a responsável pela edição do livro dos 80 anos da Associação e a que estava atualizando o Estatuto da AJURIS.
Casado com Doralina e pai de quatro filhos – Alexandre, Daniela, Augusto e Francisco –, Rauen também era avô de seis netos: Vítor, Cecilia, José Pedro, Maria Luiza, Benjamin e Sophia. Nos últimos anos, sofreu muito por conta de uma paixão: o péssimo desempenho nos gramados do seu time do coração, o Coritiba, mas que reservou ao fanático torcedor uma alegria ao final de 2025: subiu para a principal série do Campeonato Brasileiro em 2026.
Em março de 2024, o magistrado recebeu a Comenda Bonorino Buttelli, um reconhecimento da AJURIS a quem atuou com relevância em nome da Associação e da magistratura brasileira. Em seu discurso ao receber a medalha, Rauen lembrou os versos de Almir Sater, em Tocando em Frente: penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente, cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz. “A vida me deu mais do que mereço”, disse ao final, para receber aplausos emocionados dos colegas.