Perfil: Cláudio Luís Martinewski, vice-presidente Administrativo

Perfil: Cláudio Luís Martinewski, vice-presidente Administrativo

Natural de Porto Alegre, aos 58 anos, Cláudio Luís Martinewski foi eleito para conduzir a vice-presidência Administrativa no biênio 2020/2021.

Formado pela PUCRS, ingressou na magistratura como pretor, em 1987, iniciando a jurisdição na Comarca de Três de Maio e na sequência em Candelária. Em 1990, após prestar novo concurso, tomou posse como juiz de Direito, sendo classificado para o município de Encantado. Também atuou nas comarcas de Dom Pedrito e Porto Alegre, onde foi diretor do Foro (2012/2013). No Judiciário foi, ainda, juiz-corregedor nos períodos de 1999/2000 e de 2004/2007.

Especialista em Direito Tributário (IBET-SP) e com MBA em Administração do Poder Judiciário, pela FGV-Rio, Martinewski foi promovido a desembargador do Tribunal de Justiça em 2014. 

Por indicação da AJURIS, Cláudio Martinewski é o presidente da União Gaúcha em Defesa da Previdência Social e Pública, que congrega 25 entidades ligadas ao serviço público. 

Ser magistrado 

Para o desembargador, o exercício da magistratura passa diretamente pela compreensão de um papel político intrínseco ao cargo. “Ser magistrado é ter consciência de que se é um agente político do Estado, que se é Órgão do Poder Judiciário, um dos sustentáculos do Estado Democrático de Direito com tudo que isso representa”, frisa.

Martinewski ainda defende a importância de se reafirmar e esclarecer a gravidade e a responsabilidade da função, cuja ação, como ele explica, “ao mesmo tempo em que promove os direitos fundamentais da cidadania, também limita outros tantos interesses e, por isso, muitas vezes, injustamente, sofre críticas, ataques e tentativas de diminuí-lo nas sua prerrogativas e autonomias”. 

Para além dos processos

Casado com Maria Alice e pai de quatro filhos – Lara, Débora, Tatiana e o caçula Gabriel, de 13 anos -, nos momentos em que não está envolvido com as atividades jurisdicionais e associativas, Cláudio gosta de praticar caminhadas. 

Mas é no futebol e nos jogos do tricolor gaúcho que encontra uma das grandes paixões: “Assistir às vitórias do meu Grêmio e assar um bom e suculento churrasco”, conta, falando também da importância de estar com a família.

Dos momentos de leitura, Cláudio traz a inspiração de um trecho do livro Cartas a um jovem poeta, do autor tcheco Rainer Maria Rilke: “Não procures pelas respostas definitivas, respostas que não lhe poderiam ser dadas, pois você seria incapaz de viver com elas. E, portanto, é este o ponto: viver tudo, viver através de tudo. Viver suas dúvidas, agora mesmo”.

E é dessa inspiração que também vem a dica de viagem para Madri, destino que segundo Cláudio merece a visita “pela sua intensidade”. Como destino nacional, ele fala também da experiência de conhecer a “exuberância natural” das paisagens de Chapada dos Veadeiros, localizada em Goiás, no centro do país.

Da sétima arte, o magistrado traz a sugestão de dois filmes biográficos. O premiado Gandhi, que conta a história do pacifista e líder indiano. E também Invictus, de Clint Eastwood, que recupera um período da história da África do Sul pós-apartheid. No enredo, Nelson Mandela, após ser eleito presidente, enxerga na disputa da Copa do Mundo de Rúgbi e, consequentemente, no apoio à seleção sul-africana, a possibilidade de pacificar o país e unir a população.

Desafios da gestão

Atuante na vida associativa, Martinewski já foi coordenador da Coordenadoria de Porto Alegre e vice-presidente de Patrimônio e Finanças (2004/2005). Também foi diretor da Escola da AJURIS por duas gestões consecutivas (2014 a 2017), período em que deu início à reestruturação da instituição e assegurou o reconhecimento oficial da Escola como a responsável pela formação dos magistrados.

Martinewski lidera a União Gaúcha desde maio de 2017.

A trajetória Martinewski na Associação também tem uma forte ligação com as questões previdenciárias, que o tornaram uma das referências no tema dentro e fora da AJURIS. O magistrado foi o presidente do Conselho Deliberativo do IPERGS por oito anos e desde 2017 lidera a União Gaúcha.

Licenciado da jurisdição para exercer o cargo de vice-presidente, ele projeta um cenário desafiador para o próximo período, principalmente em relação às mudanças na legislação que não garantem, por exemplo, a integralidade dos vencimentos após a aposentadoria: “Esse tempo está exigindo uma nova visão, um novo modelo que ainda não conseguimos ver e afirmar com toda a clareza e objetividade”, relata.

“O desafio é procurar entender a atual dinâmica e buscar preservar os valores que fazem da magistratura essa categoria essencial ao desenvolvimento humano, social e econômico. Para isso, ouvir os magistrados, estar ao seu lado no bom combate, deve ser um dos principais desafios da nossa AJURIS”, finaliza.

Texto: Joice Proença