Painel debate os desafios da Era Digital e os impactos na magistratura

Painel debate os desafios da Era Digital e os impactos na magistratura

Com o tema Os desafios da Era Digital: Uma Nova Moralidade?, o primeiro painel do segundo dia de programação do Congresso da AJURIS reuniu dois especialistas para debater os impactos das relações digitais e como esse novo comportamento afeta o trabalho da magistratura. O declínio da empatia e, por consequência, o crescimento da intolerância, além de uma conduta social guiada e organizada por algoritmos, foram alguns dos aspectos levantados durante o encontro. 

Segundo o neurologista Jaderson Costa da Costa, também professor de Neurologia da Escola de Medicina da PUCRS e vice-reitor da instituição, três conceitos marcam as relações na era digital: empatia, medo e intolerância. Para o professor, as redes sociais são boas para disseminar informação, mas – pelo menos até agora – menos competentes em difundir empatia. “Apesar do desenvolvimento das redes sociais e da cultura onine estar nos tornando mais conectados e globalmente conscientes do que em qualquer outro momento da história, não serviu para reverter o declínio da empatia, e talvez esteja até contribuindo para ele”, destacou.

Como confirmação dessa realidade, Costa lembrou os resultados de um estudo realizado Estados Unidos sobre os Escores de Preocupação Empática entre estudantes Universitários. Segundo dados da pesquisa, houve um enorme declínio nos níveis de empatia nos jovens americanos entre 1979 e 2009, com a queda mais acentuada entre 2000 e 2009. Contudo, segundo ele, é importante ressaltar que “o progresso e a tecnologia não ‘modificaram’ nosso cérebro mas simplesmente alteraram a expressão de nossa emoções e o tipo de irracionalidade”. 

No segundo momento do painel, o doutor em Medicina José Roberto Goldim, que também é chefe do Serviço de Bioética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, destacou a influência dos algoritmos das redes na construção das relações sociais. “O ordenamento das informações das redes sociais a partir das interações significativas está forçando, em algumas situações, a visão maniqueísta que estamos imersos hoje, onde o usuário acessa tão somente as informações que lhe interessam, a partir de seus grupos de interação. Isso faz que cada vez menos a gente reconheça que exista possibilidade de diálogo entre grupos contrários”, destacou, em referência à mudança nas regras dos algoritmos do Facebook em 2018. Como apresentou Goldim, o Facebook, uma das principais redes sociais mundiais, conta com cerca de 2,41 bilhões de usuários ativos e 1,18 bilhões de acessos diários. 

Ainda durante o painel, Goldin destacou a lógica da descartabilidade que marca as relações da era digital, além das diferenças entre os imigrantes e nativos digitais. O encontro foi mediado pela juíza de Direito Káren Rick Danilevicz Bertoncello. 

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Fotos: Rodrigo Lorandi