Domingo de Orgulho, por Vera Lúcia Deboni

Domingo de Orgulho, por Vera Lúcia Deboni

Artigo da presidente da AJURIS, Vera Lúcia Deboni, com uma mensagem sobre os 75 anos da Associação, publicado no jornal Zero Hora na edição de 10 e 11 de agosto.

Qual o valor de uma história?

Como medir o sucesso de um propósito?

São questões difíceis de responder, mas simples de serem relacionadas: um propósito dá relevância a uma existência e resulta em uma história tão edificante quanto às forças que o movem.

Essas duas palavras – história e propósito – são especiais neste domingo para a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS). Nossa entidade, uma das mais antigas do Brasil a atuar pelas prerrogativas da magistratura e a se envolver em causas importantes para a sociedade, completa 75 anos de existência.

Do passado ao futuro, um sentimento sempre nos une como propósito de nossa existência: a busca pelo justo e pela garantia da liberdade, irmãos siameses na construção de um estado democrático de Direito que deve servir a todos.

Em 11 de agosto de 1944, quando um grupo de magistrados deu início à AJURIS, a Europa começava a ser ocupada pelas tropas aliadas, levando a liberdade a um continente que havia vivido os últimos anos subjugado pelas forças totalitárias. Esse ideário da liberdade também moveu nossos fundadores.

Agora, em agosto de 2019, 75 anos depois, a magistratura gaúcha se reúne nos próximos dias em seu XIII Congresso Estadual para discutir as liberdades proporcionadas pelo mundo digital: como promover a Justiça em um mundo sem fronteiras, onde as leis não conseguem mais acompanhar o ritmo frenético das mudanças de comportamento e das transformações sociais? Eis a questão que move o que chamamos de “o congresso da magistratura digital”.

Garantir a justiça e assegurar a liberdade sempre impulsionou o trabalho da magistratura gaúcha que, embora com a menor remuneração nacional e sobrecarregada pela falta de recursos humanos, atingida por reformas previdenciárias e tentativas de desvalorização, é a mais produtiva do Brasil nos últimos dez anos, conforme informações do Conselho Nacional de Justiça. O que nos remete às duas questões iniciais.

Qual o valor de uma história e de um propósito? Pois eles podem ser medidos pelo orgulho que geram: o orgulho da AJURIS em representar uma magistratura que há 75 anos, dia e noite, serve à sociedade do Rio Grande do Sul.